Do inegável empoderamento feminino



Esse post nasceu por culpa de duas criaturas. Uma que me pediu para falar da Dilma (e a relação com a Vale, ver aqui post do Tijolaço) e outro que brigou comigo no Twitter no dia da final do Big Brother Brasil 2011. E estreio, aqui, um pouco em resposta à eles porque seria impossível fazer a primeira coisa e responder ao segundo sem antes falar de algo inquietante – o reforço do protagonismo feminino.

Eu poderia começar a falar do século XIX, cacoete de historiadora, mas vou me ater aos últimos meses. Não há como negar o reforço na busca pelo protagonismo feminino que significou a vitória de Dilma Roussef nas última eleições presidencias. Os argumentos são variados: vai desde a menina de seis anos (filha de uma amiga) que ficou encantada com a possibilidade de também ser, ela mesma, presidenta da república até a vitória de uma mulher no Big Brother Brasil.

Eu vou pular a parte que tenho que me justificar porque assisto esse programa. É fato que outras mulheres já levaram o milhão de reais em outras edições que haviam apelado mais para a origem pobre das ganhadoras do que centrado na trajetória delas. No entanto, o ineditismo da vitória de Maria ficou por conta da moça ser uma espécie de “periguete”, que não esconde desejos, paixões e frustrações em ambiente público, a “inimiga íntima de toda mulher”, como disse aqui a Clarissa. E ainda assim ser reconhecida e premiada em seu protagonismo.

Tenho para mim que o episódio merece meu destaque porque eu não saberia o que pensar da vitória de Maria se a gente não tivesse eleito uma mulher (também pouco adequada aos padrões que se formulam sobre a mulher) para presidenta da república. E vice-versa. Até porque, no ano anterior, o público do BBB havia escolhido um heterossexual, branco e homofóbico como seu herói. Não acho possível que isso seja tão vazio de sentido.

Foi aí que na última terça-feira, para a ira de um amigo historiador, eu comparei as duas. E isso, para alguns, pode ser escandalizador, uma insolência: comparar a “gostosa fútil” com uma poderosa estadista. Minha veia de historiadora social (e feminista um pouco empolgada) não consegue desvincular a relação entre Maria e Dilma na busca pelo protagonismo feminino. Eu confesso que não pesquisei a biografia da BBB, mas não preciso esperar que ela tenha pós-graduação em filosofia para reconhecer a contribuição que sua vitória num reality show significou nesse sentido. Vou deixar de argumentar aqui, para não falar do operário-presidente.

O reforço do protagonismo feminino é inegável e pode até mesmo ter reinaugurado uma guinada do feminismo no Brasil dos dias de hoje. Destacado isso agora, na próxima posso me ater mais a atuação de Dilma como presidenta, mas não abro mão da história social, viu Gália?

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6 Respostas para “Do inegável empoderamento feminino

  1. Concordo plenamente, Galu, mutatis mutandis (só um termo mais “chique” pra “guardadas as devidas proporções”), ambas as vitórias representam, se ainda não o inegável empoderamento feminino, pelo menos uma mudança significativa no panorama geral da nossa sociedade que, até agora, (quase) nos ignorava enquanto cidadãs. “We shall fight until we win”! E, como vc mesma bem colocou, acabamos de começar…

  2. Ricardo Figueiredo Pirola

    Toda marcha histórica é contraditória, o que não significa que não ocorrem mudanças e conquistas. Se existem Bolsonaros por aí, tem também “Mulher na presidência”, têm ainda Marias e mais Marias…Ótimo texto. Essa Tabnarede vai que vai!!!!!!
    Obs para a autora: veja se é possível ainda assinar o texto, o povo quer saber quem é vc. Se não quiser se identificar, invente um pseudônimo.

  3. Valeu, gente
    Ricardo, valia um texto seu sobre tais mudanças e rupturas?

  4. Luciano Carneiro

    Não só pelas duas serem mulheres, mas também por serem mulheres que vão contra o esteriótipo e o que “se espera” de uma mulher (menos libido que um homem, menos força, menos voz, etc) que a comparação é perfeitamente aceitável.

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