Quem cuida do trabalho de reprodução da vida?

Encontrei esse desabafo por aí, na rede.  Mulheres trabalham em média 24 horas em trabalhos domésticos não remunerados (limpar a casa, cuidar de criança e das mais velhas ou mais velhos). Os homens declaram gastar um pouco mais de 9 horas nas mesmas funções. As mulheres tem rendimento 30% menos que dos homens e somos poucas no Poder Legislativo, em torno de 10%.  Quem trabalha pela reprodução da sua vida?

Mulheres em Movimento Contra a Carestia (Achei no Blog do Nassif, mas não sei quem é o artista nem em que arquivo está, se alguém souber, favor mandar os créditos)

Mulheres e Homens deveriam ser iguais, mas são diferentes quando o assunto são os filhos

Não tem como negar, todo mundo é “filho da mãe”, mas o LAZARENTO É O PAI. Não quero dizer aqui que são “filhos da puta” porque puta pra mim é gente de muito valor. Com o fim dos relacionamentos dos casais é comum que o cuidado dos filhos fique sob a responsabilidade das mulheres. Descartando a idéia de “aborto social dos pais”, mulheres seguem lutando para educar e prover sua família e seus filhos sozinha. Digo SOZINHAS, porque o estado não provém as políticas publicas necessárias para amparar em sua plenitude o direito de nossos filhos, é sempre uma luta para conseguir a vaga na creche, ter uma escola de qualidade, o que fazer com os filhos das mulheres trabalhadoras no contra turno escolar ficam em nossas casas, sozinhos ou ainda, sob a supervisão de vizinhas, por que as periferias carecem de políticas de toda ordem…. Esporte, cultura e lazer…. Falaremos também da questão de classe social, as mulheres mais pobres, são sempre as mais prejudicadas, não recebem pensão alimentícia, e quando recebem esse valor não chega a R$ 200,00, o cara que paga ainda acha que é muito dinheiro e fica querendo saber: – O que você faz com a pensão que eu te dou? Só faltou completar a frase: – “Gastou no motel”?

Eles pensam: – Toda mãe solteira é puta!

Parece que agente compra lingerie com o maldito dinheiro e nem sabe que nossas calcinhas estão todas rasgadas porque não temos dinheiro nem pra comprar qualquer coisa que não seja de uso e necessidade básica.

ENTÃO SOMOS TODAS PUTAS E ELES NÃO SABEM QUANTO CUSTA EDUCAR, CUIDAR, ZELAR POR UM FILHO.

Os filhos de mães solteiras consomem mais de 80% de sua renda, não são apenas as garantias do mínimo: roupa, sapato, alimentação, moradia, água, luz, que se gasta dinheiro hoje em dia, nossos filhos querem acesso à internet, celular… e esta é uma lista que sempre cresce todos os dias.

Eu sempre falo para o meu filho: – De cada dez palavras que você me fala, nove é pedindo para eu comprar algo. Outro dia ele disse:

– Mãe compra um tablet? Eu disse: – não tenho dinheiro, logo em seguida ele disse: – Mãe compra um IPOD, eu disse, não tenho dinheiro. Ai a próxima foi: – Mãe, porque você não compra um camaro amarelo.

Naquela hora, eu pensei como mãe solteira que tenho de pagar todas as contas da casa e garantir a você todas as necessidades básicas de alimentação, moradia, vestuário…. e por isso não compro mais nada, nada mesmo, nem uma calcinha nova, então pensei que há quase dois anos, vivo com as mesmas duas calças Jens no guarda roupa e já tive que trocar seu guarda-roupa 3 vezes nos últimos seis meses porque você esta em fase de crescimento e perde tudo tão rápido. Hora é o pé que não pára de crescer, é a roupa que ta curta e apertada, é a meia, a cueca, o gibi, a figurinha, o joguinho, É POR ISSO QUE EU NÃO TENHO UM CAMARO AMARELO, QUE NÃO TENHO CARRO NENHUM, E TENHO QUE O TEMPO TODO DIZER PRA VOCE QUE NÃO TENHO DINHEIRO AFINAL EU NEM TENHO UMA VIDA MAIS. Tudo que faço é acordar de madrugada, organizar para você ir a escola, limpar a casa antes de sair para o trabalho, trabalhar, trabalhar como uma vaca, para no fim do mês, ver todo meu salário sumir em 5 dias e pagar todas as contas sozinhas porque decidi ser mãe solteira. Quando chego do trabalho corro fazer o jantar, organizar o banho, fazer a lição de casa, colocar a roupa na maquina, uffa! Eu tenho uma maquina! Mais ainda falta Lavar a louça, passar a roupa…. as vezes me vejo andando pela casa perdida … porque são tantas coisas para fazer que tem dia que nem quero começar, antes de acabar a noite ainda sentamos para contar historia, ler um livro, afinal, você precisa incentivar seu filho ler, para que ele seja uma pessoa bem sucedida no futuro, ele tem que ser bom aluno, todo fracasso escolar de seu filho será responsabilidade sua (MAE SOLTEIRA), porque o pai…. ahhhhh!!!! esse ninguém nunca lembra onde está. Muitas mulheres casadas ainda não perceberam que TAMBEM são mães solteiras!!! Na verdade eu não decidi ser mãe solteira. O ser proprietário do espermatozóide acha que a vida de pai começa e termina ali, depois da gozada e nós mulheres é que ficamos sem dormir pelo resto da vida. Naturalmente os homens são caracterizados pela sociedade por completa incapacidade de cuidar dos filhos, por isso a maior parte das decisões judiciais são favoráveis que os filhos fiquem sobre a guarda das mães. Pergunto-me: Quais são as reais condições paternas que protegem os homens de assumir a responsabilidade com os cuidados de seus filhos? Quais são as reais punições àqueles que não cumprem com seu devido direito? Porque as mulheres são punidas por não acatarem a um casamento infeliz para o resto de suas vidas? Para que um homem assuma a guarda legal do filho é necessário que se prove a incapacidade da mãe para só depois permitir que o pai tenha a guarda legal do filho na justiça, as condições paternas só são levadas em consideração caso as condições maternas sejam desfavoráveis, refletindo a estrutura da sociedade patriarcal a cerca da matéria em pauta. Chegam dizer a todo o momento que as crianças ficam melhores em companhia da mulher porque “mãe é mãe”. Isso reforça a idéia de que vivemos em uma estrutura desigual entre homens e mulheres. A Supremacia da maternidade gerenciada por décadas reforça os estereótipos do “ser mulher”, isso contraria o principio constitucional da igualdade de homens e mulheres, pai e mãe, e da lógica pressuposta no estatuto da criança e do adolescente que transcende as relações de gênero e afirma o direito à proteção integral assegurando-lhes as faculdades de seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Ainda que, a lei trate como igual o direito do pai e da mãe em exercer o poder familiar, ainda que todas as leis reafirmem que homens e mulheres são iguais em direitos e deveres, ainda que as leis enfatizem que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder publico assegurar com absoluta prioridade a efetivação dos direitos de nossas crianças e adolescentes agora substitua a “família, comunidade, sociedade e poder publico” por “ mãe solteira”, “mulheres” e veja o tamanho de tudo que somos atribuídas a cuidar na ausência da família, da comunidade, sociedade e principalmente poder publico. Reestruturemos a sociedade para que as mulheres sejam realmente livres, obriguemos o estado a reduzir nossa jornada de trabalho, salários dignos, escolas de qualidade, políticas de lazer para as mulheres e a responsabilização dos homens que não cuidam de seus filhos. Com a Constituição Federal de 1988, a filiação passou, então, a ser regida pela prioridade absoluta à pessoa do filho, com igualdade entre o pai e a mãe. Na verdade, a justiça desse país tramita com base nos novos valores constitucionais e traz o instituto da guarda compartilhada, alem de determinar que a guarda monoparental fosse atribuída a quem tivesse melhores condições de criar a criança e o adolescente: NESTE CASO ÀS MULHERES, exploradas pelos baixos salários no mercado de trabalho, serviçal do trabalho domestico e cultural, realidade prática que demonstra a prevalência da guarda monoparental materna, impondo a investigação dos parâmetros sociais e culturais que, de algum modo, repercutem na atualidade. Exercer a guarda de um filho equivale a dar-lhe educação, carinho, afeto, respeito, atenção, sustento, alimentação, moradia, roupas, lazer, recursos médicos e terapêuticos; significa acolher em casa, sob vigilância e amparo; significa instruir, dirigir, moralizar, aconselhar; significa propiciar-lhe uma vida digna. A supremacia materna cultural presumida criminaliza as mulheres que defendem a igualdade no exercício da maternidade x paternidade. A divisão sexual do trabalho impõe à mulher a condição de desempenhar funções exclusivas na sociedade do universo feminino, portanto, estão sujeitadas a mendigar pagamento de pensão alimentícia ao genitor pela falta de capacidade do homem em atribuir as tarefas do cotidiano em sua rotina. Me poupe! Na verdade, o trabalho doméstico, não é reconhecido pelo sistema capitalista como um produto de exploração do universo feminino e sim como um dom natural das mulheres. Nega a estrutura patriarcal que se forma a sociedade sexista, num reconhecimento implícito da falta de capacidade do homem, quando na verdade é a zona de conforto para que a vida dos homens seja regado de bem estar e mordomias, claro que pagas com a mão de obra gratuita oferecida pelas mulheres. Se homens e mulheres são iguais em direitos, nós queremos: -redução da jornada de trabalho; -restaurantes populares; seria ótimo não ter que cozinhar todos os dias -Lavanderias populares; seria ótimo não ter que passar horas e horas lavando e passando – creches noturnas; seria ótimo marcar um cinema e ter com quem deixar seu filho; – escolas em período integral, laica, gratuita e de qualidade; assim íamos parar de ficar pedindo favores aos vizinhos e parentes que adoram jogar na sua cara os favores realizados.

E por fim, gostaria que as mulheres, mães solteiras tivessem a coragem de desabafar a pressão desta sociedade machista e de verdade parar de se culpar por não conseguir fazer tudo que deseja. E assim entregar aos pais solteiros a guarda de seus filhos para que a sociedade pare de dizer que somos mais capazes que os homens e sim, que somos iguais em direitos. Portanto ambos temos condições igualitárias no desenvolvimento da maternidade x paternidade de nossos filhos.

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Uma resposta para “Quem cuida do trabalho de reprodução da vida?

  1. O capitalismo não nega o trabalho doméstico feminino. Precisa dele na medida que há uma dupla exploração. O patrão paga o que se refere ao trabalho no local e não paga a estrutura que possibilita a ida ao trabalho. Há a dupla exploração: do trabalhador e da mulher que constrói a estrutura para que o trabalhador vá trabalhar. No caso da mulher mãe solteira trabalhadora também; o salário dela não paga essa estrutura.

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