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Racismo e Homofobia

Desde a decisão do STF por equiparar as uniões estáveis homoafetivas às heterossexuais, ganhou força no discurso homofóbico a “preocupação” em torno da adoção de crianças por casais gays. Para justificar o posicionameno contrário a essa possibilidade, os homofóbicos, então, recorrem ao discurso do “natural” e às pesquisas imaginárias, que apostam no surgimento de problemas psicológicos em crianças que não vivem sob os aspectos da “família natural”.

Geralmente, esses estudos (não encontrados nem mesmo pelo Google) nos apontam grandes problemas que, antes do reconhecimento das uniões estáveis homoafetivas como família, jamais haviam se colocado para a sociedade. Por exemplo, como uma criança poderia sobreviver em uma família sem mulher? Como ficam os filhos criados em um lar com duas mães?

Definitivamente, são problemas com os quais a sociedade brasileira (e por que não dizer Ocidental?) nunca precisou lidar, mas que, agora, devido à decisão do Supremo teremos que nos preocupar. Afinal, quem já tinha ouvido falar de uma família em que a mãe morreu no parto e o pai teve que criar a filha sozinho, sem a figura feminina? Ou, de algum caso em que a mãe (solteira) mora com sua mãe (viúva) e ambas educam o filho (ou neto)?

Mas, não se esqueçam de que é somente devido ao ineditismo da constituição de famílias que não contariam com a figura materna ou paterna que alguns homofóbicos se afirmam contrários à decisão do STF. Esse argumento, dizem eles, não é preconceituoso: “Discordar não é desrespeitar”; “Uma coisa é a opinião sobre o que é melhor para as crianças e para a sociedade, outra, é o preconceito”. Para essas pessoas, contarei uma história.

Com o final do reinado de D. Pedro I, começaram a aparecer secretamente no Brasil ideias abolicionistas e que pregavam a “mistura de raças”. A sociedade imperial (os deputados, os senadores, a opinião pública, os cristãos brancos) rechaçava ambos os discursos, exigia punições aos abolicionistas e via com maus olhos os brancos que se relacionavam com negros: isso era um absurdo, um acinte à sociedade brasileira. Existia na mente dessa sociedade reacionária a ideia de uma família “natural” que deveria ser composta ou só de negros ou só de brancos.

As personagens e os acontecimentos dessa história não são fictícios. Qualquer semelhança com situações e pessoas atuais não é mera coincidência.

Carolina Souza